O cidadão sofreu com a dengue em 2015 e ainda sofre com a falta de remédios, equipamentos e médicos.
O cidadão sofreu com a dengue em 2015 e ainda sofre com a falta de remédios, equipamentos e médicos.

O Poder Público Municipal e a saúde pública em Marilia

Em Marília, o sistema de saúde sempre foi uma referência na região. A cidade possui 5 hospitais e conta com 34 USFs (Unidades de Saúde da Família), 12 UBSs (Unidades Básicas de Saúde), 1 Policlínica e 2 PAs (Pronto Atendimento), além de duas Faculdades de Medicina, que formam médicos e enfermeiros.

Porém, nos últimos anos, a cidade tem sofrido com a má gestão e descaso, nessa que é uma área fundamental para o desenvolvimento e bem-estar de qualquer sociedade e em qualquer cidade. Para se ter ideia da dimensão do problema, basta ouvir as reclamações dos pacientes, que se queixam constantemente da demora para que sejam feitos os atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde e da longa espera para se realizar exames simples, como raio-x e ultrassom[1]. Além da espera, os pacientes também se queixam da ausência de remédios e materiais básicos, como luvas e seringas, e da longa fila de espera para cirurgias[2]. Outra queixa recorrente, sobretudo feita pelas mulheres, é a de ausência de um ginecologista na rede pública municipal.

Nos hospitais, pacientes com quadros mais graves chegam a ficar até dois dias esperando por atendimento nos corredores[3]. A Prefeitura alega que a situação é dramática devido à falta de repasses do Governo Federal, porém, essa afirmação não expressa a verdade, uma vez que a cidade recebeu repasses de mais de 50 milhões de reais entre 2013 e 2015 dos Governos Federal e Estadual[4].

Além disso, as informações sobre os investimentos na área, bem como sobre os atendimentos e exames realizados na cidade, não tem fácil acesso, uma vez que, desde 2012, não há nenhuma sistematização de dados feita pela Secretaria Municipal de Saúde referentes a atendimentos e exames[5]. O não fornecimento de dados que consideramos elementares para se avaliar o sistema de saúde do município é uma afronta aos preceitos da democracia e transparência, já que é dever da administração pública fornecer todos os dados relacionados ao tema para que os cidadãos possam ter clareza do que está sendo feito e cobrar o que não está funcionando.

Além da displicência para com os dados da saúde municipal, a Prefeitura não desempenha seu papel na realização de ações para prevenção de doenças tropicais, como é o caso da dengue. Apenas em 2015, dados oficiais registraram 9 mil casos de dengue no município, uma média de um caso para cada 25 habitantes, uma das maiores do país[6]. A população sofreu na pele com a epidemia da doença e, como sempre, a Prefeitura se omitiu da responsabilidade e colocou a culpa no acaso. Mas não é bem verdade.

Desde 2012 a Prefeitura vem sendo cobrada por moradores para multar e cobrar de proprietários de imóveis abandonados e terrenos baldios que fizessem a limpeza de seus imóveis e terrenos, pois, vale lembrar, os bairros com maior número de casos registrados possuíam imóveis abandonados e terrenos baldios, que se configuram como um foco de dengue. A Prefeitura amoleceu nesse sentido, o que, certamente, contribuiu para o surto de dengue enfrentado pela população no ano passado.

E a despeito de todos esses problemas descritos, o prefeito abusa do nosso bom senso ao nomear como Secretário de Saúde um homem que não possui nenhuma relação ou conhecimento sobre o tema e que, além de sua gestão como secretário ser posta em cheque, foi acusado de ter torturado moradores de rua e foi condenado por abuso de autoridade[7], por um lamentável episódio ocorrido em 2013, quando estava à frente da Secretaria de Assistência Social do município.

Candidato à reeleição, o atual prefeito escolheu como vice-prefeito um dentista reconhecido na cidade, a qual chama em seus jingles de “o homem da saúde”. A escolha é uma clara tentativa de demonstrar que possui engajamento pela temática da saúde, mas os fatos mostram que durante os quase quatro anos que esteve à frente da Prefeitura, o prefeito colecionou más decisões, foi negligente e incompetente para com a saúde do município.

Os dados – ou a ausência deles – estão aí para comprovar essa afirmação e atestar o profundo descaso sofrido pelos moradores de Marília, sobretudo as mulheres e os mais carentes.

[1] Unisite, 15/09/2015.

[2] Giro Marília, 24/02/2016.

[3] G1, Marília

[4] Os dados são do Governo Federal e da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

[5] Entramos em contato por diversas vezes com a Secretaria da Saúde do município e em todas as vezes obtivemos a resposta de que “não temos os dados referentes aos atendimentos e exames na cidade”.

[6] G1, Marília

[7] http://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2016/05/secretario-de-saude-de-marilia-e-condenado-por-abuso-de-autoridade.html.