Berriel considera que a forma como a coleta de lixo doméstica é feita na cidade é equivocada, pois, além de ter um alto custo, agride o meio ambiente e não dialoga com a sociedade e os profissionais que trabalham com reciclagem.

Proposta: Quais seriam as vantagens se Marília tivesse coleta seletiva do lixo?

A coleta de lixo na cidade foi feita exclusivamente pela prefeitura até 2012. A partir desse ano, o poder executivo de Marília realizou licitações para contratação de empresas privadas para auxílio na coleta de lixo. Coincidência ou não, foi em 2012 que houve a transição de governo de Ticiano Toffoli (PT) para Vinícius Camarinha (PSB), e as reclamações dos moradores sobre a coleta de lixo aumentaram.

As reclamações se deram por conta das várias alterações feitas, impactando diretamente na rotina nos moradores, que estavam habituados com a coleta feita por funcionários da Prefeitura, em dias e horários marcados. Além das reclamações dos moradores, aumentaram muito as reclamações feitas pelos próprios funcionários, que passaram a queixar-se de piora nas condições de trabalho, por conta da falta de caminhões, luvas e outros materiais indispensáveis.

A partir de 2012, os gastos com a coleta de lixo tiveram um salto. O aumento ocorreu por conta dos repasses da Prefeitura para as empresas que passaram a dividir o ônus da coleta com a prefeitura. Para se ter uma ideia, só de pagamento para a empresa que passou a realizar coleta de lixo doméstico (a Sterlix), a prefeitura gastou em 2012 a quantia de R$435.815,83, além dos gastos já previstos no orçamento com a coleta dos funcionários públicos.

Esse valor cresceu muito no ano de 2014, com o ingresso da empresa Monte Azul (que passou a realizar a coleta de lixo) e chegou a 6,4 milhões de reais. Em 2015 esse valor quase dobrou, chegando ao montante de 12,4 milhões de reais – uma média de mais de 1 milhão de reais por mês, só de repasse para as duas empresas envolvidas na coleta.

Esse gasto exorbitante é fruto de uma má administração pública, que pensa a coleta de lixo doméstico de uma forma ultrapassada. A justificativa dada é a de que é necessário desonerar os cofres públicos, porém, não é o que se observa com a decisão de realizar parcerias com empresas – a valores altíssimos – e tendo um plantel de funcionários públicos capazes de executar a tarefa.

Proposta

Nesse sentido, a reflexão que fazemos sobre a coleta de lixo doméstica é de que ela deve ser realizada de forma seletiva, ou seja, separando-se os materiais (papéis, metais, plásticos, orgânico, etc.) e organizando assim a coleta. Essa não é uma forma nova, ao contrário, é o sistema de coleta de lixo adotado na maior parte dos países, porque está em consonância com o compromisso ante ao meio ambiente.

O investimento em coleta seletiva proporciona várias vantagens em relação aos custos ambientais, pois nos municípios que ela é adotada, observamos a redução de custos com a disposição final do lixo, o aumento da vida útil de aterros sanitários, a diminuição de gastos com remediação de áreas degradadas, a educação e conscientização ambiental da população, a redução dos gastos gerais com limpeza pública e a melhoria das condições ambientais e de saúde pública da cidade. Além disso, a coleta seletiva proporciona a geração de empregos – diretos e indiretos – a partir da instalação de novas indústrias recicladoras na região e ampliação de indústrias recicladoras já existente; e ainda propicia o resgate social de indivíduos através da criação de associações de cooperativas de catadores.

Portanto, evidenciamos que a forma como a coleta de lixo doméstica feita na cidade é equivocada, pois, além de ter um alto custo, agride o meio ambiente e não dialoga com a sociedade e os profissionais que trabalham com reciclagem. Assim, a implementação de uma coleta seletiva na cidade seria o melhor caminho para a questão do lixo doméstico. A coleta seletiva será uma das minhas bandeiras dentro da câmara dos vereadores. Lutarei e legislarei para que esse projeto seja aprovado em nossa cidade.