As Avenidas João Ramalho e República possuem um pesado fluxo de ciclistas. Leiam as propostas de Alessandra Berriel pra quem vem e vai pro trabalho e pra escola pedalando.
As Avenidas João Ramalho e República possuem um pesado fluxo de ciclistas. Leiam as propostas de Alessandra Berriel pra quem vem e vai pro trabalho e pra escola pedalando. Essa foto é em Jaú.

Proposta: Que tal institucionalizarmos as bicicletas como um meio de transporte em Marília?

PROBLEMA

Em 2015, o número de mortes registradas em decorrência de acidentes de trânsito na cidade foi de 42. O número total de acidentes registrados, com ou sem vítimas, foi de 1.453, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.

No que diz respeito ao transporte público, a cidade conta com duas empresas que o realizam diariamente. Cada uma possui 63 ônibus responsáveis pelo transporte de quase 100 mil pessoas diariamente entre as 5:50 da manhã e as 23:50 da noite, com redução do efetivo aos domingos e feriados. O preço da tarifa cobrada é de R$3,00. A cidade não conta com nenhuma outra alternativa oficial para os ônibus, de forma que as duas empresas são as únicas responsáveis pelo transporte público na cidade.

O preço da tarifa é ainda superior ao de outras cidades do mesmo porte que Marília no Estado, como Bauru e Araraquara. Além disso, o índice de rejeição dos marilienses ao transporte público é de 91% – ainda maior do que quando a cidade possuía apenas uma empresa [1].

Mas a reclamação não é só sobre as empresas: os morados se queixam constantemente das péssimas condições das ruas e avenidas. E outro fato que ainda chama atenção dos marilienses são as constantes denúncias sobre possíveis esquemas de corrupção envolvendo as empresas que realizam o transporte público da cidade. Recentemente, foi divulgado no jornal Bom Dia Brasil na TV Globo um dossiê que continha informações de cidades que estariam envolvidas em formação de cartel para vencer as licitações para o transporte. Marília constava na lista.

PROPOSTA

Nesse sentido, acreditamos que a solução seja, essencialmente, a ampliação das opções de transporte urbano na cidade e a fiscalização e cobrança dos serviços já existentes. Ao transitarmos pela cidade nos horários de maior movimento (7:00 às 8:00 e 17:00 às 18:30) observamos um número grande de bicicletas nas ruas, pois um grande número de trabalhadoras, trabalhadores e estudantes a utilizam como meio de transporte.

Assim, a institucionalização das bicicletas como um meio de transporte na cidade seria uma solução viável ao município. Os cidadãos que se utilizam da bicicleta como meio de transporte o fazem pela economia financeira, pela qualidade ruim dos serviços de transporte público da cidade e pela praticidade.

PROJETO

Como no caso dos carros e motos, em que o poder público fornece a estrutura e a regulação necessária que viabilize seu uso, acreditamos que deve ser com as bicicletas. Para nós, o Poder Público deve fornecer uma estrutura adequada para que as bicicletas sejam utilizadas como alternativa de transporte urbano.

Nosso projeto para a mobilidade urbana municipal é a implementação de ciclofaixas nas principais avenidas e ruas da cidade, com o objetivo de interligar os bairros ao centro e fornecer aos ciclistas segurança na locomoção. Além das ciclofaixas, a construção de ciclovias em pontos estratégicos da cidade (como a Avenida das Esmeraldas) contribuirão para a prática do ciclismo sem interferir na dinâmica do trânsito da cidade.

Para garantir a segurança das bicicletas, pensamos também na implementação de bicicletários em pontos de grande fluxo na cidade, que funcionarão em horário comercial. Para viabilizar e estimular ainda mais a utilização das bicicletas como meio de transporte, propomos que a prefeitura faça parceria com as bicicletarias da cidade para que, não só a manutenção e conserto das bikes seja feito no menor custo possível para as trabalhadoras, trabalhadores e estudantes, mas os equipamentos e acessórios de segurança sejam adquiridos por menor preço.

Em relação aos ônibus, o objetivo é implementar a Parada Alternativa Ampla (PALA), ou seja, os motoristas do transporte público municipal poderão parar em qualquer lugar do seu trajeto, desde que sejam avisados por passageiros, especialmente mulheres, menores e idosos, exceto nos horários de pico de movimento.

Nossos projetos são simples e baratos, além de terem um tempo de execução pequeno. A utilização do ciclismo como meio de transporte urbano já é uma realidade há décadas. O que queremos é que o município forneça a estrutura necessária que proporcione segurança e economia às trabalhadoras e trabalhadores que utilizam a bicicleta.

[1] Os dados são da pesquisa feita pelo Jornal Diário, em 21/02/2015.